História da Terra

A Freguesia da Estela tem por Orago Nossa Senhora da Expectação, é uma das mais antigas do Concelho da Póvoa de Varzim, anterior mesmo ao nascimento da nação, de cuja sede dista aproximadamente 7 km’s e comemora o Dia da Freguesia a 07 de Julho. Anualmente no primeiro Domingo de Julho realiza-se a grandiosa procissão em honra de S. Tomé e Nossa Senhora do Alívio e em meados de Agosto a festa em honra de Nossa Senhora da Ajuda.

De acordo com levantamento censitário de 2011, a Estela tem 2313 habitantes residentes, o que numa área de 11,73 Km2, resulta numa densidade populacional de 197 Hab./Km2.

O topónimo “Estela” radica, segundo alguns autores, naquele nome próprio, de origem latina; outros porém, acreditam numa possível relação de cariz arqueológico, a partir de “Stella”, monumento pétreo.

Estela encaixa na extremidade setentrional do território do Concelho da Póvoa de Varzim, junto à orla costeira que a delimita a ocidente e, confrontada a Norte com o Concelho de Esposende, a Sul com as Freguesias de Navais e Aguçadoura e a Este com a Freguesia de Laundos.

A sua orografia plana e de baixa altitude, onde predomina o pinheiro manso, permitiu a presença humana já desde o Calcolítico com a cultura Campaniforme, na idade do ferro e com especial importância, devido aos materiais arqueológicos encontrados (duas arrecadas em ouro, um colar articulado e uma cabeça de torques, para além de um “bolo” de prata) a ocupação romana de Vila Mendo com a cultura castreja.

A Estela foi propriedade de D. Mem Pais Roufinho que, com o seu filho a venderam a D. Mendo III, Abade de Tibães.

Em 07 de Julho de 1140, D. Afonso Henriques, primeiro documento oficial conhecido onde o monarca se intitula Rei de Portugal, coutou a Freguesia de Sancta Maria de Stella e de Villam Menendi a D. Ordonho IV, Abade do Mosteiro de S. Martinho de Tibães. Este domínio senhorial e eclesiástico é atestado pelos marcos de granito ainda existentes ostentando a gravação “TIBÃES”. Também a Casa dos Duques de Bragança deixou na freguesia algumas marcas de posse contando-se alguns marcos com o respectivo brasão – Armas de Portugal encimado por coroa.

O nome de Sancta Maria de Stella era também referido nas inquirições de 1220 e mais tarde no Censual de Braga do Séc. XI.

Sabe-se ainda que, em 1939 a Estela pertencia à Comarca de Barcelos, em 1852 à de Vila do Conde e em 1878 à da Póvoa de Varzim.

Na freguesia, junto à orla costeira, são característicos os “Campos Masseira” que surgem por volta de 1880 e, que resultam de grandes escavações nas dunas a dois, três metros de profundidade até atingirem o nível freático e onde apesar da proximidade do mar, devido a um fenómeno físico natural, a água aparece dessalinizada, modelando o terreno em forma de masseira, em áreas de configuração rectangular ou quadrangular. Esta é uma forma original e inteligente de aproveitamento das dunas de areia transformando-as em férteis e produtivos campos de cultivo. Plantavam-se, na base, vides cujos braços se estendiam, rastejando pelas encostas. O cimo dos moios (valos) eram revestidos com sebes secas, canaviais ou arbustos, formando uma barreira extra quebrando o ímpeto dos ventos mais fortes e captando parte da salinidade do ar.

A Freguesia da Estela, atingiu gradualmente, nos últimos anos, um patamar de desenvolvimento infraestrutural, cívico, sócio-económico e cultural invejável, detendo vários pólos de atracção turística. Os Estelenses, gente trabalhadora, honesta, humilde e indomável, fazem parte de um povo que deu destino ao mundo.